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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Otzi - o "homem de gelo"

Artigo publicado na SCIENTIFIC AMERICAN Brasil, (Edição 13 - Junho de 2003) sobre o corpo de um homem que viveu na "pré-história" a aproximadamente 5 mil anos, na fronteira da Áustria com a Itália.


A saga revivida de Ötzi, o Homem do GeloOnde ele vivia e o que fazia no desfiladeiro onde morreu? Um estudo meticuloso - principalmente dos restos vegetais encontrados em seu corpo - reformula muitas das especulações iniciais.
por Jim Dickson, Klaus Oeggl e Linda Handley
Num dia claro de setembro de 1991, um casal de montanhistas caminhando pela cordilheira dos Alpes deparou-se com um cadáver. Autoridades locais presumiram ser o corpo de um dos alpinistas que desaparecem todo ano nas fendas entre as geleiras da região. Mas depois de enviarem o corpo para uma cidade próxima, Innsbruck, na Áustria, Konrad Spindler, arqueólogo da universidade local, declarou que o cadáver era pré-histórico. A vítima, um homem, morrera há milhares de anos. Spindler e outros pesquisadores deduziram que o corpo e objetos que ele carregava foram preservados até que uma tempestade de poeira vinda do Saara e um período excepcionalmente quente se combinaram para derreter o gelo, expondo o corpo.
Corpos bem preservados da Europa do Neolítico, até então nunca haviam sido encontrados. O Homem do Gelo é muito mais antigo que os homens da Idade do Ferro das turfeiras da Dinamarca e precede até as múmias egípcias. Quase tão impressionante quanto sua idade, foi encontrar suas roupas e acessórios.
Na excitação que se seguiu à descoberta, sobraram especulações na imprensa e no mundo acadêmico. De acordo com a hipótese de Spindler, o homem teria fugido para a segurança das montanhas depois de ser ferido numa luta em sua aldeia. Era outono, interpretou Spindler, e o homem procurou refúgio nas pastagens elevadas para onde levava seus rebanhos no verão. Ferido e em estado de exaustão, caiu no sono e morreu sobre um rochedo, onde foi encontrado cinco mil anos mais tarde. A impressionante preservação do corpo teria resultado de uma tempestade de neve que o protegeu dos abutres, seguida de rápido congelamento-ressecamento.
Como a singularidade da descoberta não foi imediata, a forma como o cadáver foi retirado do gelo destruiu muitas informações arqueológicas e afetou o próprio corpo. Uma escavação mais completa do sítio foi feita no verão de 1992 e revelou muitas evidências valiosas, entre as quais grande quantidade de material orgânico (sementes, folhas, madeira, musgos). Agora, depois de uma década de pesquisas de laboratório com esses restos, incluindo resíduos retirados dos intestinos do Homem do Gelo, alguns fatos substituem as primeiras impressões por uma história mais consistente.
Quem Era Ele?
O CASAL DE MONTANHISTAS DESCOBRIU o corpo a 3.210 metros acima do nível do mar no maciço de Ötztal (Alpes Orientais), o que lhe valeu o apelido de Ötzi. A apenas 92 metros ao sul da fronteira austro-italiana, a depressão rochosa e superficial que abrigava o corpo fica perto de um desfiladeiro chamado Hauslabjoch, entre o Schnalstal, na Itália (Val Senales, em italiano) e o Vertental na Áustria (ver o mapa da pág. ao lado). Ötzi estava numa posição estranha, caído de bruços sobre o rochedo, o braço esquerdo dobrado para o lado direito, e a mão direita presa embaixo de uma pedra grande. Seus objetos e roupas, também inteira ou parcialmente congelados, estavam espalhados à sua volta, alguns a vários metros de distância. Datações de carbono do material vegetal junto ao corpo e das amostras da pele e dos ossos de Ötzi, feitas por três laboratórios diferentes, confirmam que ele viveu há cerca de 5.300 anos.
Outras características de Ötzi foram relativamente fáceis de descobrir. Com 1,59 metro, era um homem de baixa estatura, como muitos da região de Schnalstal são hoje em dia. Estudos de ossos mostraram que ele tinha 46 anos, idade avançada para as pessoas de sua época. A análise do DNA indica que era originário da Europa Central-Setentrional, o que pode parecer óbvio, mas é um dado que o diferencia dos povos mediterrâneos, cujas terras ao sul não ficam muito longe.
Ö tzi tinha uma anomalia congênita inusitada: faltava-lhe o último par de costelas, o 12º. A sétima e a oitava quebraram e depois colaram durante sua vida. Segundo Peter Vanezis, da University of Glasgow, o lado direito de sua caixa torácica está deformado, com indícios de fraturas na terceira e na quarta costelas. O braço esquerdo está quebrado. O fato de essas alterações terem ocorrido depois de sua morte está entre as consideráveis evidências que lançam dúvidas sobre a teoria de Spindler. Assim como a descoberta de que a perda de uma parte do couro cabeludo foi causada por pressão, e não por um golpe ou decomposição.
Deixando de lado as perguntas sem resposta envolvendo a morte de Ötzi, vários indícios sugerem que ele não estava em seu melhor estado de saúde quando morreu. Embora a maior parte de sua epiderme, os cabelos e as unhas tenham desaparecido, provavelmente deteriorados pela exposição à água durante degelos ocasionais, seus restos oferecem um bom material para pesquisa. O exame da única unha encontrada revelou três linhas de Beau, que aparecem quando o crescimento das unhas é interrompido e depois retomado. Essas linhas mostram que ele esteve muito doente três vezes nos seus últimos seis meses de vida e que o episódio final, cerca de dois meses antes de sua morte, foi o mais grave e durou pelo menos duas semanas. Horst Aspöck, da University of Viena, descobriu que ele foi infectado por um parasita intestinal que pode causar diarréia e até disenteria, embora não saibamos qual foi a gravidade da infecção.
Além disso, muitas tatuagens simples, feitas com pó de carvão, são visíveis na camada de pele por baixo da epiderme desaparecida. Essas marcas certamente não eram decorativas - mas provavelmente terapêuticas. Várias estão próximas ou sobre pontos da acupuntura chinesa, lugares onde ele pode ter tido artrite - a parte inferior da coluna, o joelho e o tornozelo direitos. A coincidência levou alguns pesquisadores a sustentarem hipóteses de um tratamento por acupuntura. Mas, segundo Vanezis e Franco Tagliaro, da Universitá di Roma, os raios X não mostram sinais convincentes de artrite. O dedo mínimo do pé esquerdo mostra evidência de ulceração produzida pelo frio. Os dentes de Ötzi são muito desgastados, um reflexo de sua idade e alimentação. Restos de duas pulgas foram descobertos em suas roupas. Não foram encontrados piolhos, mas, se havia algum, desapareceu com a epiderme.
Que Objetos Usava?
ANALISANDO AS ROUPAS E OBJETOS de Ötzi, pesquisadores puderam conhecer mais sobre ele e sua comunidade. Os objetos são uma prova do conhecimento que tinham das pedras, fungos, plantas e animais. E mostram que também sabiam como obter recursos de lugares mais distantes, como o sílex e minério de cobre. Graças a esses saberes, Ötzi estava extremamente bem equipado. Cada objeto em seu poder fora produzido com o material mais adequado para seus propósitos.
Além disso, ele estava muito bem preparado para enfrentar o frio, usando três camadas de roupas feitas de pele de veado e de cabra, e uma capa forrada da longa e resistente fibra da casca de tília. Seu chapéu era de pele de urso, e os sapatos, forrados de grama, combinavam pele de urso e cabra.
Ötzy levava um machado de cobre e um punhal de sílex oriundo do Lago de Garda, a mais ou menos 150 km ao sul. O cabo do punhal era de uma madeira usada até hoje para fazer cabos, por sua resistência. Seu arco inacabado foi feito com a melhor madeira para esse fim. Uma aljava de pele levava 14 flechas. Apenas duas tinham penas e pontas de sílex, mas ambas estão quebradas. Uma bolsa presa ao cinto continha material para fazer fogo: um fungo que cresce nas árvores, conhecido em inglês como true tinder fungus, pirita de ferro e sílex para produzir faíscas. Uma pequena ferramenta própria para amolar sílex também foi encontrada perto do corpo. Em correias de pele de animal, Ötzi carregava dois pedaços de fungo de bétula. O fungo contém compostos farmacologicamente ativos (triterpenos, e pode ter sido usado como remédio. Também havia fragmentos de uma rede, a estrutura básica de uma mochila e dois recipientes feitos de casca de bétula; um levava carvão e folhas de bordo norueguês ? talvez transportasse originalmente brasas envolvidas por folhas.
De Onde Era?
NESSA PARTE DOS ALPES, os vales situam-se ao norte e ao sul, entre cordilheiras de montanhas elevadas. Por isso a aldeia de Ötzi pode estar entre o norte e o sul. A evidência botânica aponta para o sul. Um sítio neolítico foi descoberto em Juval, um castelo da Idade Média localizado na extremidade sul de Schnalstal, 2 mil metros abaixo, mas a apenas 15 km em linha reta da depressão onde Ötzi foi encontrado. Os arqueólogos não escavaram o sítio nos tempos modernos e não foi feita nenhuma datação com carbono, mas Juval é o lugar mais próximo à depressão em que um grande número de plantas floríferas e fungos associados a Ötzi crescem ainda hoje. Não temos motivo para supor que não crescessem ali no passado. Talvez, por isso, seja o local onde Ötzi vivia.
Quando suas roupas foram analisadas, os exames revelaram muitos fragmentos de plantas, inclusive uma grande quantidade de Neckera complanata. Esse e outros musgos que ele levava crescem ao norte e ao sul do local onde Ötzi foi encontrado, mas as fontes do sul estão muito mais próximas. N. complanata viceja com abundância perto de Juval. Wolfgang Hofbauer, do Fraunhofer Institute for Building Physics em Valley, Alemanha, descobriu que esse musgo cresce - em quantidades menores - em Vernagt (Vernago), a apenas 1.450 metros abaixo do local e a somente 5 km de distância. E, mais recentemente, Alexandra Schmidl, do University of Innsbruck Botanical Institute, descobriu pequenos fragmentos de folhas do musgo Anomodon viticulosus em amostras retiradas do estômago de Ötzi. Esse musgo também cresce em Schnalstal.
Se Juval não for seu lar, vestígios de ocupação neolítica em locais bem próximos de Vinschgau (Val Venosta), o vale do rio Etsch (Adige), oferecem outras possibilidades. Em contraste, ao norte as aldeias conhecidas da Idade da Pedra que ficam mais próximas estão a dezenas de quilômetros, e não sabemos da existência de nenhuma aldeia neolítica no Ventertal ou em qualquer outra região do Ötztal. Se o lar de Ötzi era realmente na parte mais baixa do Schnalstal ou em Vinschgau, então sua comunidade vivia numa região de invernos amenos, curtos e geralmente sem neve, principalmente se, na época, o clima era um pouco mais quente.
Investigações feitas por Wolfgang Müller, da Australian National University, sobre a composição isotópica do esmalte dos dentes de Ötzi, sugerem que ele cresceu numa área, mas passou duas ou três das últimas décadas num outro lugar. Investigando isótopos estáveis e elementos-traço, Jurian Hoogewerff, do Institute of Food Research, de Norwich, Inglaterra, e outros pesquisadores, afirmaram que Ötzi provavelmente passou a maior parte de seus últimos anos no Ventertal ou nos vales próximos ao Norte. Se puderem ser comprovadas, são informações, no mínimo, intrigantes.
O Que Comia?
OS ESTUDOS EM ANDAMENTO sobre os restos de plantas retirados do trato digestivo oferecem evidência direta de algumas das últimas refeições de Ötzi. Um de nós (Oeggl) detectou farelo de um trigo primitivo chamado einkorn, tão fino que pode ter sido moído até virar farinha de fazer pão. Restos microscópicos de substâncias não identificadas até agora comprovam que ele também se alimentava de outras plantas. E Franco Rollo e sua equipe da Universitá de Camerino, na Itália, em seus estudos do DNA de resíduos de alimentos nos intestinos, reconheceram tanto o veado vermelho quanto a cabra montesa alpina (cabra selvagem). Lascas de ossos do pescoço da cabra montesa também foram descobertas perto do corpo de Ötzi. Junto dele também estava um único abrunho, uma fruta pequena e amarga, parecida com a ameixa. Ötzi pode muito bem ter levado uma provisão de abrunhos secos.
Vários tipos de musgo foram retirados do estômago, cólon e reto. Não existe evidência alguma de que humanos algum dia tenham comido musgos, certamente não como um componente importante de sua alimentação. Entretanto, há mais de 5 mil anos, não eram produzidos materiais para embrulhar, embalar, rechear ou enxugar. Os musgos são excelentes para esses propósitos, como revelaram muitas descobertas arqueológicas em toda a Europa: vários musgos encontrados nas fossas vikings e medievais eram claramente usados como papel higiênico. Se as provisões de Ötzi estivessem embrulhadas em musgo, isso explicaria perfeitamente, como uma ingestão acidental, as várias folhas e fragmentos de N. complanata encontrados nas amostras retiradas.
A análise arqueológica dos restos de cabelos e ossos, que examina a quantidade de isótopos estáveis de carbono e nitrogênio (carbono 13 e nitrogênio 15), pode dar informações sobre a alimentação de uma pessoa. O nitrogênio 15 revela o quanto o indivíduo dependia de proteína animal ou vegetal, enquanto o carbono 13 indica o tipo de planta que a pessoa comia e se os frutos do mar ou os alimentos da terra prevaleciam na dieta.Os dados isotópicos confirmam os outros indícios de que Ötzi tinha uma dieta mista de plantas e animais. Cerca de 30% do nitrogênio de sua alimentação eram de proteína animal, o resto de plantas. Esse valor é coerente com os encontrados entre as tribos de caçadores-coletores atuais. Esses dados indicam também que os frutos do mar não integravam sua alimentação. Faz sentido, devido à distância do mar.
O Que Fazia Ali?
ATÉ HOJE, O QUE PARECE ser um costume antigo, os pastores conduzem seus rebanhos de Schnalstal para as pastagens elevadas do Ötztal no verão e os trazem de volta no outono. O corpo de Ötzi foi encontrado perto de uma das rotas tradicionais, por isso uma das primeiras teorias o tomavam por pastor. No entanto, nada em suas roupas ou equipamento prova que ele tenha feito esse tipo de trabalho. Uma certa base para a hipótese do pastor é dada pela grama e pela capa de fibra, que tem seus equivalentes modernos nas roupas usadas pelos pastores dos Bálcãs, mas só isso não é conclusivo. Até onde se sabe, era a roupa tradicional dos viajantes daquele tempo.
A análise dos poucos fios de cabelo de Ötzi que restaram revela grandes quantidades de arsênio e cobre. A explanação divulgada é que ele teria participado da fundição de cobre. Mas Geoffrey Grime, da University of Surrey, Inglaterra, agora acha que esses níveis excepcionais de cobre podem ter resultado da ação de bactérias fixadoras de metal depois da morte de Ötzi, e que o cobre estava sobre o cabelo, e não no interior do fio. A presença do Mielichhoferia elongata, o chamado musgo do cobre, que se alastra preferencialmente sobre rochas que contêm esse elemento, reforça a possibilidade de o cobre ter se fixado ao cabelo depois da morte. Um de nós (Dickson) descobriu que esse musgo cresce na região onde Ötzi foi encontrado e, de forma independente, a mesma descoberta foi feita por Ronald D. Porley, do órgão do governo inglês English Nature.
Outra possibilidade é a de Ötzi ser um caçador da cabra montesa alpina; o arco e a aljava de flechas podem comprovar essa hipótese. Mas se ele estava ativamente envolvido na caça à época de sua morte, por que o arco estava inacabado e sem a corda e todas as flechas, menos duas, estavam sem pontas e sem plumas? Por que as duas flechas prontas estavam quebradas?
Outras das primeiras idéias sobre Ötzi sustentam que ele era um criminoso excluído do convívio da comunidade, um mercador de sílex, um xamã ou um guerreiro. Nenhuma delas tem bases sólidas, a menos que os pedaços de fungo que ele carregava tivessem uso medicinal ou espiritual para um xamã.
Como Morreu?
EM JULHO DE 2001, Paul Gostner e Eduard Egarter Vigl, do Hospital Regional de Bolzano, Itália, anunciaram que os raios X tinham revelado uma ponta de flecha embaixo do ombro esquerdo de Ötzi. Essa afirmação provocou numerosas declarações da mídia de que Ötzi tinha sido assassinado. Gostner e Egarter Vigl chegaram a dizer que "agora está provado que Ötzi não morreu de morte natural, nem devido apenas à exaustão e a ulcerações provocadas pelo frio". Embora existam reconstruções tridimensionais da ponta da flecha, que tem 27 mm de comprimento por 18 mm de largura, os pedidos feitos por Vanezis e Tagliaro para sua retirada e a comprovação de que se trata realmente de uma ponta de flecha ainda não foram atendidos. Além disso, a remoção deve ser feita de forma a deixar evidente o ferimento fatal que pode ter provocado.
A ponta de flecha pode não ter causado a morte. Muita gente continua viva depois que objetos estranhos - como balas - entram em seus corpos. Um exemplo arqueológico notável é a famosa ponta de lança na pélvis direita do famoso Homem de Kennewick, da América do Norte; ficou ali por tempo suficiente para que o osso começasse a se recuperar à sua volta.
Mais recentemente ainda, Egarter Vigl afirmou que a mão direita de Ötzi revela uma ferida profunda feita por uma punhalada. Até agora, nenhuma publicação científica sobre a descoberta foi feita.
Em que Estação do Ano?
AS PRIMEIRAS INDICAÇÕES SUGEREM que a morte se deu no outono. A presença do abrunho - que amadurece no fim do verão - perto do corpo e pedacinhos de cereais nas roupas de Ötzi, que presumivelmente se alojaram ali durante a debulha que se segue à colheita, constituem a base dessa hipótese. Mas uma evidência botânica convincente indica que Ötzi morreu no fim da primavera ou no começo do verão. Estudos feitos por Oeggl de uma amostra diminuta de resíduos alimentares retirados do cólon de Ötzi revelaram a presença do pólen de uma pequena árvore chamada hop hornbeam em inglês. O impressionante é que esse pólen preservou seu conteúdo celular, que normalmente se deteriora muito rápido. Isso significa que Ötzi pode ter ingerido pólen do ar ou bebido água contendo pólen recém-depositado nela pouco antes de morrer. O hop hornbeam, que cresce até cerca de 1,2 metro acima do nível do mar em Schnalstal, só floresce no fim da primavera e no começo do verão.
Quanto aos abrunhos, se Ötzi estivesse levando frutos secos, a secagem poderia ter sido feita algum tempo antes de sua viagem. Da mesma forma, pedacinhos de cereais preservam-se indefinidamente, e alguns resíduos podem ter ficado em suas roupas durante longo tempo.
O que Sabemos
MAIS DE 10 ANOS DEPOIS da descoberta do corpo humano mais antigo e bem preservado de que se tem notícia, as hipóteses sobre quem ele era e como chegou a uma depressão rochosa no alto dos Alpes mudaram muito. Mas acreditamos que pesquisas cuidadosas ainda devam ser feitas. Os estudos sobre os restos de plantas - o pólen, sementes, musgos e fungos encontrados tanto dentro quanto fora do corpo - revelaram um número surpreendente dos segredos de Ötzi. Sabemos de sua dieta onívora, do conhecimento íntimo que tinha do lugar onde vivia, de seu domicílio no sul, de sua idade e estado de saúde, da estação do ano em que morreu e algumas coisas sobre seu meio. Talvez uma das reinterpretações mais surpreendentes é que Ötzi não morreu no rochedo onde foi encontrado. Ele deve ter sido arrastado até lá por um dos degelos temporários que ocorreram nos últimos 5 mil anos. A posição do corpo, com o braço esquerdo virado desajeitadamente para a direita e a mão direita presa embaixo de uma pedra, assim como a epiderme desaparecida, sugerem essa conclusão, assim como o fato de alguns de seus pertences estarem a vários metros de distância, como se tivessem sido levados para longe do corpo.

RESUMO / Reencontro com o Homem do Gelo
As pesquisas mais recentes indicam que o Homem do Gelo:
Pode ter vivido próximo de onde está hoje o Castelo de Juval, no sul do Tirol (Itália). Alimentava-se de uma dieta variada incluindo uma espécie de trigo primitivo, outras plantas e carne.
Tinha 46 anos ao morrer e não estava em sua melhor forma.
Morreu na primavera e não no outono, como se pensou inicialmente.
Pode ter morrido ao ser atingido nas costas por uma flecha.Não morreu no rochedo onde foi encontrado, e teria sido arrastado para lá durante degelos sucessivos.

O QUE O HOMEM DO GELO E SEUS PERTENCES NOS DIZEM
Ele não era careca quando vivo e provavelmente tinha barba. A epiderme desapareceu e o cabelo, pêlos e unhas caíram. Alguns fios de cabelo, de até nove centímetros, foram encontrados. Análises dos fios indicam que ele se alimentava de diferentes plantas e animais.
O Homem do Gelo era baixo, tinha apenas 1,59 metro de altura. O ressecamento posterior à sua morte encolheu seu corpo, tanto externa quanto internamente. A pressão do gelo deformou seu lábio superior, o nariz e as orelhas.A composição isotópica do esmalte dentário sugere que ele viveu em pelo menos duas áreas diferentes.
O gorro foi feito com pele do urso marrom.
O cabo do punhal é de madeira de alta resistência. A ponta de sílex pode ter sido quebrada no passado, ou durante a escavação.Uma espécie de farelo de trigo primitivo chamada einkorn, foi identificada em seu intestino, moído tão fino que pode ter sido usado para fazer pão. Partículas minúsculas de carvão sugerem que o pão havia sido assado num braseiro.
Folhas do musgo Neckera complanata, também retiradas das vísceras, indicam que ele provavelmente embrulhava sua comida em musgo. No alto, imagem do musgo crescendo sobre uma pedra. Abaixo, um ramo com folhas retirado de suas roupas.Análises com datação de carbono dos tecidos do corpo, plantas e utensílios confirmam que ele viveu há 5.300 anos.
Uma bolsa que provavelmente era presa à cintura, embora não estivesse mais no lugar, continha materiais para fazer fogo, entre os quais o true tinder fungus (abaixo, à esquerda) e sílex (centro). Um instrumento para amolar o sílex está abaixo, à direita. Tatuagens muito simples, mas visíveis na parte posterior do corpo, eram linhas simples e cruzes que podem ter tido função terapêutica.
Processos naturais depois da morte fizeram seus dedos se fechar. Uma das unhas (abaixo) foi recuperada. As linhas (setas) mostram que ele esteve muito doente três vezes nos meses anteriores à sua morte.Estudos dos resíduos de comida nos intestinos indicam que ele era onívoro e revelam detalhes sobre suas últimas refeições (veado vermelho, cabra montanhesa, plantas e grãos), ambiente, domicílio e até de sua última viagem.
Nas amostras retiradas das vísceras, grãos de pólen (esquerda) da hop hornbeam (abaixo) indicam que o Homem do Gelo morreu no final da primavera, quando essa arvorezinha floresce.
O machado intacto mais antigo conhecido, tem uma lâmina de cobre presa a um cabo de madeira com fibras da casca de tília e pele.
Os sapatos, feitos de pele de animais, foram cuidadosamente costurados e forrados com grama. Seu estado de conservação é ruim, talvez em parte pelo desgaste da viagem do Homem do Gelo.

Jim Dickson, Klaus Oeggl e Linda Handley têm um interesse comum pelas plantas que Ötzi pode ter usado em sua vida cotidiana. Dickson, professor de arqueobotânica e de classificação de plantas da University of Glasgow, recebeu a medalha Neill, prêmio da Royal Society of Edinburgh. Escreveu mais de 150 artigos e 5 livros, entre os quais Plants and People in Ancient Scotland (Tempus Publishing, 2000). Oeggl é professor de botânica da University of Innsbruck, Áustria. É especialista em arqueobotânica e um dos organizadores do livro The Iceman and His Natural Environment (Springer-Verlag, 2000). Handley, ecofisiologista do Scottish Crop Research Institute, sediado em Invergowrie, Escócia, especializou-se no estudo de isótopos estáveis de carbono e nitrogênio em plantas e solosP.


Leia mais: http://ateliedehistoria.blogspot.com/search/label/Pr%C3%A9-Hist%C3%B3ria#ixzz1sDwrVKVG
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terça-feira, 1 de março de 2011

"Pré-História" Revisão.

Era uma vez o Homem - fragmento.
Vídeo animado - em português - sobre o processo de evolução do ser humano.
Bom material para entender como vivia o ser humano na chamada pré-história do homem.
Divirta-se e aprenda.
Para acessá-lo é só clicar no link abaixo:
http://videos.sapo.pt/z4cmYO9gJWcd4Bwd40Dl

sábado, 15 de janeiro de 2011

Navegantes: Pré História



Título: Navegantes: pré-história
Tipo do recurso: Vídeo
Objetivo: Mostrar como se deu a evolução humana
Descrição do recurso: Episódio da série Navegantes, do Barão do Pirapora, sobre a pré-história
Componente Curricular: Ensino Fundamental::Séries Finais::História
Tema: Educação Básica::Ensino Fundamental Final::História::Nações, povos, lutas, guerras e revoluções
Autor(es): Araújo, Rodrigo Ayres de
Idioma: Português (pt)
País: Brasil (br)
Fonte do recurso: Barão do Pirapora
Endereço eletrônico: http://br.youtube.com/watch?v=OFZAL1d_qN0
Data de publicação: 2008-03-07

Atividades:
1ª O conteúdo do vídeo será discutido em sala de aula.
2ª Análise do vídeo através de um roteiro de estudo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Neandertal II


Continuação da reportagem sobre a fabricação de ferramentas e ornamentos pelos neandertais:
Neandertais também criaram ferramentas

Neandertal e Homo sapiens deixaram descendentes
De acordo com estudo de Svante Pääbo, as duas espécies conviveram entre elas e geraram descendentes
O homem de Neandertal, espécie hominídea extinta presumivelmente há 30 mil anos, conviveu com os primeiros homens modernos e, dessa relação, houve descendentes, segundo um estudo do Instituto Max-Planck de Leipzig, Alemanha, antecipado pela revista "P. M. Magazin".
A publicação divulga uma pesquisa iniciada há quatro anos pelo Instituto, e que estabelece que o Homo neanderthalensis, que habitou principalmente a Europa e algumas zonas da Ásia ocidental, não desapareceu repentinamente como asseguravam até agora os especialistas, e que se misturou com o Homo sapiens.
Em 2006, especialistas em evolução antropológica do Max-Planck, liderados pelo geneticista paleontólogo Svante Pääbo, localizaram ossos em uma caverna na Croácia que foram comparados com restos encontrados no Noroeste da Espanha e sul da Rússia.
Os investigadores decidiram, então, comparar o genoma dos neandertais com o do homem atual. Assim, descobriram que parte da genética daquela espécie hominídea de aspecto robusto, 1m65 de altura máxima e extremidades curtas ainda permanece no Homo sapiens.
"É certo que tivemos filhos com os neandertais", garante Gerd Schmitz, que faz parte da equipe de pesquisa do Instituto Max-Planck.
Em 2009, Pääbo e sua equipe do Max-Planck anunciaram que tinham conseguido decifrar cerca de 63% dos dados genéticos do neandertal.
Os pesquisadores de Leipzig conseguiram decifrar a sequência de mais de três bilhões de bases de DNA, tomando como material de partida mostras ósseas de seis homens de Neandertal.
A maior parte do material procedia de uma jazida na caverna de Vibndija, na Croácia.
Também foram usadas para o estudo mostras da caverna de Sidrón, nas Astúrias (Espanha); de uma jazida em Mezmaiskaya, sul da Rússia; assim como o esqueleto de 40 mil anos de antiguidade encontrado no próprio vale de Neandertal (Alemanha), que deu nome à espécie.
O grupo de Päabo evitou a contaminação do material genético do Neandertal com material genético humano durante o processo.
As investigações alemãs partem, além disso, da suposição de que o Homo sapiens e o Homo neandertalis têm origem em linhagens que se separaram há pelo menos 400 mil anos.
Outra das questões que poderiam ser resolvidas, caso os cientistas consigam decifrar o genoma completo, é o enigma do desaparecimento do homem de Neandertal, há cerca de 30 mil anos.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/neandertal+e+homo+sapiens+deixaram+descendentes/n1237746411521.html


Fonte da imagem. http://www.mnarqueologia-ipmuseus.pt/images/2010.05.07_Diario_de_Noticias_Lisboa_pag_35.jpg

 http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/encontros_amorosos_entre_sapiens_e_neanderthal.html

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Esquema: O período Neolítico

Esquemas como este, é uma espécie de resumo visual de um aspecto histórico ou mesmo de um tema ou unidade de conteúdos que está estudando.
Os esquemas, como qualquer outro material é apenas mais uma fonte de estudo, por isso não fique apenas neles, procure outras fontes. Não se esqueça que ele, o esquema, não é a solução para seus problemas. Mas que eles podem te ajudar, isso, eles podem.




Esquema ilustrado Pré-história

Para melhor visualização é só clicar na imagem.
Atividade.
Crie um texto narrativo estabelecendo as diferenças entre os períodos mostrados na imagem.

Mais Pré-história

AS COMUNIDADES DO PALEOLÍTICO OU RECOLECTORAS
As primeiras comunidades do paleolítico ou  recolectoras
Desde há muitos milhares de anos que o Homem habita a Península Ibérica. Vieram de África através do estreito de Gibraltar.
Esses primeiros homens viviam em pequenos grupos; tiveram de ser muito hábeis e  só o esforço de todos lhes permitia vencer as dificuldades: o frio era intenso, a neve era muita, dependiam totalmente do que a Natureza lhes dava porque as suas técnicas eram muito primitivas.
Eram recolectores, isto é, viviam apenas do que recolhiam através da pesca, da caça, da apanha de frutos, raízes, folhas.

O Homem...
... protegia-se do frio... construindo refúgios e vivendo em cavernas; vestindo-se de peles dos animais que caçava;
... fabricava instrumentos... de madeira, pedra, osso;
... dominava o fogo... para se aquecer, cozinhar os alimentos, iluminar as cavernas, afugentar os animais ferozes;
... era nômade..., isto é, deslocava-se permanentemente em grupo, procurando os locais onde viviam os animais que caçavam;
... era artista e mágico... fazendo pinturas e gravuras nas paredes das cavernas ou nas rochas - arte rupestre.
Ainda hoje é um mistério o seu significado mas, possivelmente, faziam-no para trazer sorte às caçadas e abundância de alimentos.

Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/olindagil/archive/2009/10/08/AS-COMUNIDADES-RECOLECTORAS.aspx
Atividade:
Utilizando o esquema elabore um texto sobre as comunidades que viviam no Paleolítico.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Neandertal


O homem-de-neandertal (Homo neanderthalensis) é uma espécie extinta, fóssil, do gênero Homo que habitou a Europa e partes do oeste da Ásia, de cerca de 300 000 anos atrás até aproximadamente 29 000 anos atrás (Paleolítico Médio e Paleolítico Inferior, no Pleistoceno), tendo coexistido com os Homo sapiens. Alguns autores, no entanto, consideram os homens-de-neandertal e os humanos subespécies do Homo sapiens (nesse caso, Homo sapiens neanderthalensis e Homo sapiens sapiens, respectivamente).
Esteve na origem de uma rica cultura material designada como cultura musteriense, além de alguns autores lhe atribuírem a origem de muitas das preocupações estéticas e espirituais do homem moderno, como se poderá entender a partir das características das suas sepulturas. Depois de um difícil reconhecimento por parte dos académicos, o homem-de-neandertal tem sido descrito no imaginário popular de forma negativa em comparação com o Homo sapiens, sendo apresentado como um ser simiesco, grosseiro e pouco inteligente. Era, de facto, de uma maior robustez física e o seu cérebro era, em média, ligeiramente mais volumoso. Progressos relativos a arqueologia pré-histórica e da paleoantropologia depois da década de 1960 têm revelado um ser de uma grande riqueza cultural, ainda que seja, provavelmente, sobrestimada por alguns autores. Muitas questões, contudo, permanecem sem resposta, principalmente as relacionadas com a sua extinção.
Fonte da imagem: Revista Galileu, n°156, Julho de 2004, p. 20.
Fonte do texto: Wikipédia.
Para saber mais:
Homo sapiens neanderthalensis. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-12-29].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$homo-sapiens-neanderthalensis>.

Etapas evolutivas do gênero homo http://www.assis.unesp.br/darwinnobrasil/humanev2b.htm
Representação artística do homo de neandertal

Neandertais também criaram ferramentas
Há 42 mil anos, eles desenvolveram utensílios de osso e rocha antes de terem contato com coma espécie que o substituiu
    
     Neandertais vivendo no sul da Itália há 42 mil anos desenvolveram ferramentas de ossos e rochas, ornamentos decorativos e pigmentos por conta própria, e não através de interações com o Homo sapiens – segundo Julien Riel-Salvatore, antropólogo da Universidade do Colorado, em Denver.
     Até hoje, achava-se que os ornamentos e ferramentas usados pelos Neandertais teriam aparecido graças ao contato com a espécie que os substituiu. Mas Riel-Salvatore afirmou que seu artigo, publicado em “Journal of Archaeological Method and Theory”, “reage à persistente ideia a respeito dos Neandertais e mostra que eles eram realmente capazes de inovar”. O autor passou anos estudando artefatos de comunidades Neandertais nas regiões sul e central da Itália, além de artefatos humanos do mesmo período no norte do país.
     Os humanos no norte da Itália desenvolveram um conjunto diverso de ferramentas, diferente daquelas encontradas na comunidade Neandertal do sul da Itália.
     Enquanto isso, Neandertais da Itália central usaram as mesmas ferramentas grandes e primitivas por 100 mil anos, sem buscar inspiração com seus vizinhos do sul ou do norte, disse Riel-Salvatore.
     “Se os humanos é que tivessem introduzido ferramentas no sul da Itália, você teria encontrado essas novas ferramentas primeiro na Itália central; essa seria a progressão geográfica natural”, disse ele.
Como os Neandertais da Itália central eram tão primitivos, é provável que as inovações no norte e no sul tenham ocorrido independentemente, segundo ele.
     Até recentemente, também era incerto se os Neandertais e os humanos haviam cruzado entre eles. Porém, mais cedo neste ano, pesquisadores determinaram que os Neandertais acasalaram com alguns humanos modernos.

O Domínio do fogo

Fazer fogo e utilizá-lo de maneira produtiva foi fundamental para o homem iniciar seu caminho rumo à civilização. Há evidências de que o fogo já era utilizado pelo homem na Europa e na Ásia, no período paleolítico posterior.
 Os primeiros encontros do homem primitivo com o fogo devem ter ocorrido naturalmente ao serem observadas as árvores atingidas por raios e assistindo o fogo surgir na superfície de jazidas de petróleo, ou proveniente das atividades vulcânicas. Destes encontros casuais o homem aprendeu quais são as propriedades inerentes ao fogo: calor e luz, e a capacidade de alguns materiais secos pegarem fogo, como a madeira, por exemplo.
A partir deste momento, o primeiro passo foi dado para que o homem levasse o fogo até sua habitação. Por meio de uma tocha com uma haste de madeira e alguns gravetos a chama incandescente era levada de seu lugar natural até a caverna ou acampamento, onde o fogo poderia ser mantido indefinidamente, como uma fonte constante de calor, luz e proteção.
Nestes primórdios da historia, a medida que os homens se espalhavam pelo mundo, mudando-se para áreas de clima frio, o fogo tornou-se vital para o aquecimento e como fonte de luz. Foi igualmente útil para cozinhar.  Nos primeiros lugares onde o homem se estabeleceu, a falta de provas da existência de fogo sugere que estes povos se alimentavam de carne crua. Foi a partir do uso do fogo para cozinhar que aumentou o número e a variedade de alimentos disponíveis para os homens primitivos.  
O fogo teve ainda uma outra utilidade, menos óbvia hoje em dia, mas talvez a mais importante de todas, quando foi descoberto pela primeira vez. O fogo oferecia proteção contra os animais selvagens que atacavam os homens primitivos. Uma fogueira ardendo constantemente em um acampamento mantinha os predadores afastados. Por isso que a descoberta do fogo permitiu uma maior mobilidade. Contando com o fogo como meio de proteção, pequenos grupos de homens que anteriormente tinham que viajar em grandes bandos para sem defenderem podiam se aventurar para lugares mais distantes em busca de alimentos ou de moradia. 

Técnicas de se fazer fogo
O que está descrito acima diz respeito à descoberta do fogo e de que forma ele  podia ser transportado.Todavia, somente muito tempo depois que o homem  verificou as faíscas saindo de dois galhos que eram esfregados pela ação do vento é que surgiu a idéia de tentar se obter fogo através do atrito de dois pedaços de pau.  Estudos recentes dos povos primitivos indicam que a produção do fogo pelo Homo erectus, o ancestral imediato do homem moderno, só aconteceu no período neolítico, cerca de 7 mil anos AC.   O Homo erectus descobriu uma forma de produzir as primeiras faíscas, através do atrito de pedras ou pedaços de madeira. Para reproduzir o fenômeno, tentou diferentes tipos de pedras, até se decidir pelas melhores, como o sílex e as piritas. Utensílios foram criados, sendo que, um dos primeiros, foi um pequeno disco de madeira, que era girado rapidamente entre a palma das mãos, enquanto era pressionado numa soleira plana de madeira. Mais tarde, as puas de arco e corda foram usadas para fazer girar mais rapidamente o disco, fazendo com que o fogo pegasse mais depressa. Somente tempos depois se descobriu que uma faísca poderia ser criada esfregando-se piritas de ferro com uma pedra.

Fogo e a civilização
Assim como o controle inicial do fogo foi essencial para o desenvolvimento de seres humanos na Idade da Pedra, para os primeiros agricultores do período Neolítico foi um fator preponderante para o desenvolvimento de toda civilização humana até nossos dias. No decorrer da historia, o homem encontrou formas diferentes de utilizar o fogo: luz e calor resultantes da rápida combinação de oxigênio, ou em alguns casos de cloro gasoso, com outros materiais. Também foi utilizado para cozinhar, para clarear a terra onde o homem ia plantar, para aplicação em recipientes de barro a fim de se fazer cerâmica e também a aplicação em pedaços de minério para se obter cobre e estanho, combinando-os em seguida para fazer o bronze (c. 3000 AC), e mais tarde obter o ferro (c. 1000 AC). 
Finalmente, nos dias de hoje podemos dizer que a evolução da tecnologia moderna é caracterizada por um aumento e um controle cada vez maior sobre a energia. O fogo foi a primeira fonte de energia descoberta e conscientemente controlada e utilizada pelo homem. 
Fonte da imagem: Revista Galileu, n°155, Julho de 2004, p. 20.
Fonte do texto: Site 10 em tudo